Radio Poder Popular
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Lembrança de David Capistrano da Costa
Lembrança de David Capistrano da Costa
Gilvan Cavalcanti Melo - Abril 2008
Na manhã de 4 de abril, o ministro da Justiça, Tarso Genro, esteve no Rio de Janeiro para a abertura da primeira incursão da chamada “Caravana da Anistia”, criada para julgar casos de anistiados em outras cidades. Ao ver faixas com frases como “A anistia é uma farsa” — levantadas no auditório por representantes de categorias que ainda aguardam o julgamento de seus casos —, o ministro admitiu que a reclamação é justa. Disse ele: “A anistia está atrasada no Brasil”. Acentuou, no entanto, que o governo tenta acelerar os trabalhos. E concluiu: “O processo é lento, mas não está quase parando. Eu diria que está quase andando”.
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, respondendo aos críticos da anistia, admitiu que foram concedidas indenizações exorbitantes. Mas, segundo ele, são fatos isolados em 35 mil processos, uma vez que a maioria das pensões foi estipulada na faixa de R$ 3,7 mil. Cerca de 25 mil casos ainda tramitam.
Na oportunidade, o ministro também entregou a Maria Augusta de Oliveira, viúva do jornalista e dirigente do PCB David Capistrano da Costa, o título de anistia. Perto de completar 90 anos, ela terá direito a uma pensão de R$ 3,4 mil, com um montante retroativo a 2001 de R$ 883 mil. O jornalista Vladimir Herzog, outro militante do PCB morto sob a ditadura, também foi homenageado.
Eu estava lá. Reencontrei muitos amigos e conhecidos ex-companheiros do PCB. Amigos e companheiros, na diferença. Foi emotivo rever, depois de longo tempo, Maria Augusta, companheira de cela, na Casa de Detenção do Recife, de minha mulher, Graziela. Abraçá-la e beijar suas filhas Carol e Cristina.
O tempo voltou para o velho Recife do bairro de Campo Grande, onde morava David e a família. Local que sempre freqüentava para conversas sobre a juventude e a política em geral. Recordo-me sempre dos seus conselhos sobre o valor da democracia, reafirmado num trecho distribuído por suas filhas, ontem: “A classe operária compreende que, num ambiente de liberdades democráticas, pode mais facilmente encaminhar a solução de seus problemas, a começar pela sindicalização maciça e pela unificação dos esforços de todos os trabalhadores, até a unidade do proletariado tanto em escala estadual como nacional. O uso das garantias constitucionais, das liberdades democráticas é o suficiente para que os trabalhadores possam conquistar tudo o que necessitam”.
Quem foi David Capistrano da Costa
David Capistrano da Costa nasceu em 1913, no povoado de Jacampari, município de Boa Viagem, Ceará. Ainda adolescente, veio para o Rio de Janeiro morar com parentes. Em 1931, aos 18 anos entrou para a Escola de Aviação, aprovado no curso da FAB, onde conheceu o tenente Ivan Ramos Ribeiro, que o convidou a participar do movimento político e a ingressar no Partido Comunista.
Participou do Levante Comunista em 1935, foi expulso das Forças Armadas e recolhido ao presídio na Ilha Grande. Mas não ficou muito tempo preso. Ajudado por colegas militares, num dia de maré baixa, com mais três companheiros, fugiu a nado pelo canal e chegou ao continente. Em seguida, atravessaria a fronteira.
Em meados de 1936, David Capistrano partiu do Uruguai para a Espanha, com um grupo das Brigadas Internacionais, integrando a Brigada Garibaldi, sob o comando do dirigente comunista italiano Luigi Longo. Em 1938 lutou na frente do Ebro, numa das mais sangrentas batalhas da Guerra Civil Espanhola.
Diz Apolônio de Carvalho: “Com José Correia de Sá e Dinarco Reis, David Capistrano integrou-se na 12. Brigada, a Garibaldi. Anos depois, em Marselha, eu teria oportunidade de ler um jornal de trincheira dessa tropa italiana, no qual se destacava o feito de David no Ebro, a garantir com uma metralhadora Hotkiss, sob o furor dos bombardeios franquistas, a retirada do seu pelotão”.
Atuou junto aos partisans da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em ação, foi deportado para o campo de Gurs, na Alemanha, e após a liberação voltou ao Brasil em 1941, sendo novamente preso. Em 1945 foi anistiado e retornou à militância política no PCB. Em 1947 casou com Maria Augusta de Oliveira, militante paraibana do PCB. Foi eleito Deputado Estadual em Pernambuco, em 1947. Entre 1958 e 1964 dirigiu a Folha do Povo e A Hora, jornais vinculados ao PCB em Pernambuco.
Após o golpe militar, viveu clandestinamente no Brasil e asilou-se na Tcheco-Eslováquia, em 1971. Retornou ao Brasil em 1974, pela fronteira em Uruguaiana, RS. Desapareceu no percurso entre Uruguaiana e São Paulo, juntamente com José Roman, em março de 1974. Em 1974, o documento n. 203/187, do DOPS/RJ, afirma: “[...] David Capistrano da Costa encontra-se preso há quatro meses, sendo motivo da Campanha da Comissão Nacional Pró-Anistia dos Presos Políticos”. Em 1978, quatro anos após seu desaparecimento, David Capistrano foi julgado à revelia e absolvido pela Justiça Militar, com 67 pessoas acusadas de reorganizar o PCB.
Em 1992, um torturador do DOI-Codi do Rio de Janeiro, em depoimento publicado, declara que viu David Capistrano ser torturado na PE da rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, tendo sido o corpo esquartejado em uma casa de Petrópolis, para impedir a identificação. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
Fonte: Especial para
Entre dois governos: 1945-1950 > A cassação do Partido Comunista no cenário da Guerra Fria A cassação do Partido Comunista no cenário da Guerra Fria
Temistocles Cavalcanti no julgamento do Partido Comunista Brasileiro no Tribunal Superior Eleitoral. Rio de Janeiro (DF), set 1947. Após os levantes de 1935, promovidos pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), o Partido Comunista do Brasil (PCB) teve seus principais líderes presos e foi completamente desarticulado. Não é de espantar que mesmo na clandestinidade seus militantes fizessem cerrada oposição a Vargas e ao Estado Novo, pela semelhança do regime com o fascismo e o nazismo. A partir de 1943, porém, após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial para combater o nazi-fascismo, a posição dos comunistas mudou. O PCB adotou a tese da "união nacional", afirmando que todos os brasileiros deveriam dar apoio à política de guerra do governo Vargas e lutar pela normalização democrática do país. Na época, não só no Brasil, mas em todo o mundo, a palavra de ordem dos diversos partidos comunistas era apoiar os governos que combatessem o nazi-fascismo. Outro elemento que reforçou a mudança de posição do PCB foi o fato de que, em função das alianças estabelecidas durante a guerra, em abril de 1945 Vargas restabeleceu as relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética.
Luis Carlos Prestes (ao centro) preso na Casa de Detenção durante o Estado Novo. Rio de Janeiro (DF), 28 nov 1941. Internamente, no primeiro semestre de 1945, para fazer frente às pressões pró-redemocratização, Vargas definiu um calendário eleitoral e anistiou os presos políticos. No mesmo período surgiram diversos partidos, e o PCB foi legalizado. Na legalidade, o PCB conseguiu grande visibilidade e atingiu o maior crescimento de sua história. Chegou a contar com mais de 100 mil filiados. Nas eleições de 2 de dezembro de 1945, concorreu à presidência da República e à Assembléia Nacional Constituinte, alcançando um resultado surpreendente. Obteve 10% da votação nacional e, num universo de 320 parlamentares, elegeu 15 deputados federais e um senador. Tratava-se de Luís Carlos Prestes, o segundo mais votado no país, suplantado apenas por Vargas, também eleito senador. Entre as 13 agremiações partidárias,o PCB tornou-se a quarta força eleitoral, atrás do Partido Social Democrático (PSD), da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse mesmo período, diversos partidos comunistas, sobretudo na Europa, também tiveram grande crescimento eleitoral. A política adotada por todos eles, de estabelecer alianças para combater o avanço do nazi-fascismo, deu bons resultados.
Com o avanço da redemocratização, representado pelo início do governo Dutra e a instalação da Constituinte no início de 1946, o movimento operário ganhou vigor, o número de sindicalizados cresceu e várias greves eclodiram no país. Para barrar o avanço do movimento sindical, que contava com forte apoio dos comunistas, Dutra, ainda no início do governo, antes da promulgação da nova Constituição (18 de setembro de 1946), baixou um decreto proibindo o direito de greve.
No primeiro ano do governo Dutra, por conta de uma conjuntura internacional favorável à cooperação entre países capitalistas e socialistas, a atuação dos comunistas, apesar das restrições, foi tolerada. Prova disso é que, em janeiro de 1947, quando se realizaram eleições para governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, o PCB obteve boa votação, chegando a formar, com a eleição de 18 vereadores, a maior bancada da Câmara Municipal do Distrito Federal. Mas as mudanças ocorridas a partir de então no cenário internacional logo se fariam sentir. No início de 1947, a aliança entre os Estados Unidos e a União Soviética começou a ser desfeita. Era o início da chamada Guerra Fria. Segundo o presidente americano Harry Truman, as potência mundiais da época estavam divididas em dois sistemas nitidamente contraditórios: o capitalista e o comunista. E a política externa americana voltou-se para o combate ao comunismo.
No Brasil, as repercussões da Guerra Fria foram imediatas. No dia 7 de maio de 1947, após uma batalha judicial, o PCB teve seu registro cassado. Nesse mesmo dia, o Ministério do Trabalho decretou a intervenção em vários sindicatos e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil, criada pelo movimento sindical em setembro de 1946 e não reconhecida oficialmente pelo governo. O PCB apelou para o Judiciário, requerendo habeas corpus para o livre funcionamento das suas sedes, mas o pedido foi negado. Em seguida, os comunistas tentaram organizar uma nova agremiação partidária, o Partido Popular Progressista (PPP), incorporando as teses centrais do PCB. O TSE também negou o registro para o PPP. A exclusão dos comunistas do sistema político- partidário culminou em janeiro de 1948, com a cassação dos mandatos de todos os parlamentares que haviam sido eleitos pelo PCB. Sob o impacto da cassação, o PCB lançou um manifesto pregando a derrubada de imediata do governo Dutra, considerado um governo "antidemocrático", de "traição nacional" e "a serviço do imperialismo norte- americano".
Além de perseguir os comunistas, o governo Dutra, totalmente alinhado com os Estados Unidos, em outubro de 1947 rompeu as relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética.
Dulce Pandolfi
sábado, 25 de janeiro de 2014
Editado o Ato Institucional nº 1 da era petista(essa história não pode se repetir)
(Nota Política do PCB)
No último dia 20 de dezembro, o Governo Dilma, através da PORTARIA NORMATIVA No 3.461, contribuiu decididamente para a reformulação da logística de repressão do Estado, exigida há tempos pelas Forças Armadas e pelos setores mais retrógrados da sociedade, atribuindo ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica a condição de planejar, organizar, gerenciar e efetuar ações repressivas contra manifestações públicas organizadas por movimentos e/ou ativistas sociais.
Sob a justificativa de efetuar Operações para a Garantia da Lei e da Ordem (OP GLO) em situações previsíveis ou em iminentes situações de crises políticas, contra ações das chamadas Forças Oponentes (F Opn), as Forças Armadas passam a ter a incumbência de assessorar e efetuar todas as medidas necessárias com vistas à repressão e à restauração da ordem desejada. As ações vão desde o uso da inteligência e contrainteligência, com possíveis monitoramentos das comunicações e outros apetrechos de espionagem, até o uso de medidas psicológicas e de comunicação de massas, para condicionar o apoio da opinião pública aos atos praticados pelo governo.
Como se já não bastasse a violência de policiais militares equipados como gladiadores, as Forças Armadas, para enfrentar a “desordem”, vão lançar mão “de todos os meios à disposição, podendo incluir o Princípio de Guerra da Massa, que fica caracterizado ao se atribuir uma ampla superioridade de meios das forças empregadas em Op GLO em relação às FOpn”.
As chamadas Forças Oponentes são identificadas como grupos, organizações, pessoas, “infiltrados” em Organizações Sindicais e Políticas, que de modo geral possam gerar “instabilidades, insegurança e ameaças públicas ou privadas”. Cabe nesse aspecto ressaltar a desfaçatez do governo em enquadrar, sob a mesma classificação, desde grupos narcotraficantes até entidades e movimentos sociais, numa clara lógica de criminalização das organizações e dos militantes políticos e sociais que lutam contra os efeitos perversos do sistema capitalista na vida da população.
Entre os delitos classificados como ações de Forças Oponentes, destacam-se: paralisação de atividades produtivas, invasão de propriedades e instalações rurais ou urbanas, públicas ou privadas; bloqueio de vias públicas de circulação e distúrbios urbanos; “delitos” que, por sua vez, já são acintosamente propagados pela mídia como ações de “vândalos” e “terroristas”, mas que, na verdade, correspondem a respostas efetivas da classe trabalhadora e das camadas populares à opressão, miséria, desigualdade e exploração causadas pelo capitalismo e seus agentes. Até mesmo as greves, direito dos trabalhadores garantido pela Constituição, entraram no rol dos “delitos” a serem reprimidos pelas Forças Armadas, num claro retrocesso que lembra o tempo da ditadura.
O PCB vem a público denunciar que esse ato do Governo Dilma, a mando dos setores mais reacionários e a serviço dos grandes grupos capitalistas e das empresas preocupadas com a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, representa a instauração de um verdadeiro estado de exceção no país, visando a resguardar não a segurança pública, mas a garantia da lei da exploração burguesa e da ordem do capital. O ato demonstra ainda o grau de subserviência do governo petista às imposições da FIFA, que teme a não realização da Copa em função das manifestações populares, que certamente voltarão com força neste ano e tendem a prosseguir mesmo depois dos eventos, em função da continuidade dos problemas que provocaram as grandes mobilizações no ano passado.
Diante da grave crise social na qual estamos mergulhados e das crescentes manifestações que evidenciaram o esgotamento do modelo político e econômico social-liberal vigente, o PT e os demais partidos da ordem burguesa vêm acelerando ações que visam a aumentar a repressão, a vigilância social e a submissão das massas ao sistema, pretendendo evitar que as contradições sociais explodam através de revoltas populares, sempre ameaçadoras aos interesses do capital e de suas forças políticas representativas.
A publicação dessa Portaria, às vésperas de o golpe empresarial-militar de 1964 completar 50 anos, apenas reforça a percepção de que, em momentos de aguçamento da luta de classes, independentemente de quem esteja administrando o estado burguês, as classes dominantes se antecipam a qualquer possibilidade de instabilidade política resultante do acirramento das contradições sociais e se lançam ao ataque em defesa de seus interesses.
O ato político do Governo Dilma revela a existência de um processo de fascistização em curso da sociedade brasileira, com o início de uma série de atos articulados que, a partir de agora, ampliarão a ação repressiva do Estado. Associada à pesada propaganda ideológica disseminada pelos meios de comunicação, esta ação tem o intuito de tentar calar todas as justas e genuínas manifestações contrárias aos efeitos do sistema no dia a dia das pessoas, tornando oficial a criminalização das organizações políticas e sociais que lutam contra o capitalismo e seus agentes, assim como de todos os movimentos populares. É a tentativa de impor a ordem a ferro e fogo, garantindo a paz dos cemitérios!
O PCB conclama os partidos e organizações de oposição socialista, assim como o conjunto dos ativistas dos movimentos populares e sociais, à necessária unidade política para barrar as medidas reacionárias adotadas pelo governo Dilma, as quais representam claramente mais uma traição de classe do PT aos trabalhadores brasileiros.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Janeiro de 2013
VEJAM UM RESUMO DA PORTARIA NORMATIVA, QUE PODE SER VISTA NA ÍNTEGRA NO ARQUIVO ANEXO:
Garantia da Lei e da Ordem, Ministério da Defesa
PORTARIA NORMATIVA No 3.461 /MD, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2013.
(...)
- Operação de Garantia da Lei e da Ordem (Op GLO) é uma operação militar conduzida pelas Forças Armadas, de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado, que tem por objetivo a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio em situações de esgotamento dos
MD33-M-10
15/68
instrumentos para isso previstos no art. 144 da Constituição ou em outras em que se presuma ser possível a perturbação da ordem.1
- Forças Oponentes (F Opn) são pessoas, grupos de pessoas ou organizações cuja atuação comprometa a preservação da ordem pública ou a incolumidade das pessoas e do patrimônio.
- Ameaça são atos ou tentativas potencialmente capazes de comprometer a preservação da ordem pública ou a incolumidade das pessoas e do patrimônio, praticados por F Opn previamente identificadas ou pela população em geral.
(...)
3.2.4.1 Por se tratar de um tipo de operação que visa a garantir ou restaurar a lei e a ordem, será de capital importância que a população deposite confiança na tropa que realizará a operação. Esta confiança é conquistada, entre outros itens, pelo estabelecimento de orientações voltadas para o respeito à população e a sua correta compreensão e execução darão segurança aos executantes, constituindo-se em um fator positivo para sua atuação.
(...)
4.2.2.3 Inteligência
4.2.2.3.1 O minucioso conhecimento das características das F Opn e da área de operações, com particular atenção para a população que nela reside, proporcionará condições para a neutralização ou para a supressão da capacidade de atuação da F Opn com o mínimo de danos à população e de desgaste para a força empregada na Op GLO.
4.2.2.3.2 A atividade de inteligência deverá anteceder ao início da Op GLO, sendo desenvolvida, desde a fase preventiva, com acompanhamento das potenciais ações das F Opn. A produção do conhecimento apoiará as ações das forças empregadas e fornecerá dados para o desenvolvimento das atividades de Comunicação Social (Com Soc) e de Operações Psicológicas (Op Psc).
4.2.2.3.3 A utilização dos conhecimentos oriundos de órgãos de inteligência externos às FA exigirá um plano de inteligência adequado à situação, buscando a efetiva integração desses órgãos, antecedendo a ocorrência de fatos motivadores do emprego das FA.
(...)
4.2.4.2 Ações dissuasórias devem ser adotadas para que as ameaças identificadas não se concretizem, evitando, assim a adoção de medidas repressivas.
4.2.4.3 Esta dissuasão deve ser obtida lançando-se mão de todos os meios à disposição, podendo incluir o Princípio de Guerra da Massa, que fica caracterizado ao se atribuir uma ampla superioridade de meios das forças empregadas em Op GLO em relação às FOpn.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Por um Encontro Nacional de Movimentos em luta por uma Universidade Popular!
É na luta que se constrói o projeto de educação dos trabalhadores!
Compreendendo a necessidade da construção de um Encontro Nacional de Movimentos em Lutas por uma Universidade Popular (ENMUP) viemos a público manifestar nosso apoio para que este se realize em agosto de 2014, com o intuito de somar experiências, visões e unificar lutas práticas por outro projeto de Universidade e Educação.
Projeto que denuncie o caráter elitista e conservador existente, e possibilite a construção de um novo modelo de universidade atrelada às demandas das classes populares e em sintonia com a transformação social no nosso país. Por isso, a luta pela Universidade Popular está em movimento. Ela está presente nas lutas por melhores condições de estudo e trabalho, tanto dos estudantes como dos técnicos e professores; nas lutas pelo acesso universal; na disputa pela produção de ciência a serviço das causas populares; nas experiências dos cursos de pré-vestibular e alfabetização de jovens e adultos; na defesa radical do caráter público da educação. Em suma, a luta pela Universidade Popular está presente em todas as iniciativas em que ecoam o grito das necessidades de milhares de trabalhadores dentro e fora da universidade.
Por isso, esta luta não pertence apenas a uma organização, coletivo ou movimento. Trata-se de um projeto histórico a ser revigorado por tod@s aqueles que estejam ao lado dos oprimidos. O ENMUP deve ser uma expressão plural, massiva, democrática e horizontal das lutas que se acirram por todo país, assim como fazê-las ecoar nas universidades e escolas. Temos a certeza de que Fortaleza será o ponto de encontro da rebeldia que floresce na juventude brasileira. A capital cearense irá simbolizar a nacionalização das lutas e a revitalização do projeto de Universidade Popular a ser apresentado para a sociedade brasileira!
Assinam este manifesto (ainda aberto para mais apoiador@s):
Central dos Movimentos Populares (CMP)
Corrente Sindical e Operária Unidade Classista
Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
União da Juventude Comunista (UJC)
Diretoria da Casa do Estudante II UFSM (RS)
ANDES – Regional NE – 2
DCE UNIFESP(SP)
DCE UFMS( MS)
DCE UFRPE Odijas Carvalho de Souza – Gestão: mais Vale o Que Será! (PE)
DCE UFRJ(RJ)
DCE UNIRIO(RJ)
SINPRO-RIO
O Sindicato dos Aeroviários (RJ)
ADUFRJ(RJ)
Movimento dos Trabalhadores Desempregados (RJ)
Movimento Favela não se Cala (RJ)
Fórum da Saúde do Rio de Janeiro (RJ)
Mandato do vereador Renatinho PSOL Niterói (RJ)
Associação dos Docentes da Faculdade Santa Dorotéia (RJ)
Sindicato dos Professores de Nova Friburgo e Região (RJ)
Liga de Lutas Urbanas (RJ)
Centro Acadêmico Florestan Fernandes Ciências Sociais UFF/Campos (RJ)
Centro Acadêmico Conceição Muniz UFF/Campos (RJ)
Movimento Social Rima Cabrunco (RJ)
Diretório Acadêmico de Sociologia UFF-Niterói (RJ)
Centro Acadêmico de Economia UFF-Niterói (RJ)
Centro Acadêmico de História UFF-Niterói (RJ)
Movimento por uma Seropédica Melhor (RJ)
Associação de Moradores do Bairro São Miguel-Seropédica (RJ)
Associação de Moradores do Bairro Vila Real- Seropédica (RJ)
Grêmio Estudantil IFRJ (RJ)
Grêmio estudantil do CIEP 155 Maria Joaquina de Oliveira/Seropédica-RJ.
Coletivo Antiproibicionista Cultural Verde (Niterói – RJ)
Site e Jornal “Viva Rocinha” (RJ)
Diretório Acadêmico Christiano Altenfelder – Medicina Marília (SP)
CACS-PUC (SP)
Sinpro Guarulhos (SP)
Centro de Referência da Juventude –CRJ (GO)
Associação de Docentes do Campus Catalão –AdCaC (GO)
Diretório Acadêmico do Campus Catalão (DACC) (GO)
Centro Acadêmico de Psicologia do Campus Catalão –CAPSICC (GO)
Centro Acadêmico de Geografia do Campus Catalão –CAGEOCC (GO)
Movimento Camponês Popular em Catalão-MCP (GO)
Núcleo de Educação Popular José Martí – NEP (GO)
Associação dos Docentes do Campus de Jataí/UFG – ADCAJ/Seção Sindical ANDES (GO)
Associação dos Pós-Graduandos da UFG – APG/UFG (GO)
Cursinho Popular SINAPSE (GO)
Grêmio Estudantil Filhos da Revolução – Colégio Estadual Vila Lobos(GO)
Grêmio Estudantil Carlos Mariguella – Colégio Estadual Waldemar Mundin(GO)
Diretório Acadêmico Francisco de Assis Magalhães do Instituto de Ciências Exatas UFMG (MG)
Movimento Universidade Pública no Guará(DF)
Grupo de Estudos e Pesquisas Historia, Sociedade e Educação no Brasil – HISTEDBR – GT UnB/CNPq (DF)
Núcleo de Estudos Agrários Desenvolvimento e Segurança Alimentar NEADS/CNPQ/UnB ( DF)
Grupo de Pesquisa e Formação Sociocrítica em Educação Física, Esporte e Lazer – AVANTE (DF)
Centro Acadêmico de Educação Física da Universidade de Brasília – CAEDF (DF)
Movimento Memória Viva e Cultura Afrolatinas – Brazlândia (DF)
Centro independente de difusão da cultura e arte – Taguatinga (DF)
Alerta – HipHop – Núcleo Bandeirante (DF)
CCCP-Coletivo Cultural de Criação Popular(PE)
Diretório Acadêmico de Agronomia – UFRPE (PE)
Escambo Coletivo- Lazer Produtivo e Direito à Cidade- Paulista(PE)
Espaço Cultural Caros Amigos/Coco Dos amigos(PE)
BrasCubas- Casa Gregório Bezerra(PE)
Centro Acadêmico Caio Amado de Ciências Sociais UFS(SE)
Grêmio Estudantil do Colégio Albano Franco (SE)
Coletivo Um Passo à Frente (SE)
C.A. de Filosofia UECE(CE)
C.A. de Serviço Social UECE(CE)
C.A. de Serviço Social FAC(CE)
Sindicato dos Sapateiros do Ceará(CE)
Estagio Nacional de Extensão Comunitária ENEC(PB)
Núcleo de Cultura Comunista da Paraíba(PB)
Grupo de Estudos Marxistas Elizabeth Teixeira(PB)
Movimento de Ação Popular (BA)
Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva/NESC – Escola Latino Americana de Medicina (Cuba)
Centro Acadêmico de História Erick J. Hobsbawm da UFMS (Campo Grande – MS)
http://enmup2014.wordpress.com/2013/12/22/por-um-encontro-nacional-dos-movimentos-em-luta-por-uma-universidade-popular/
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Rolezinho, um ato de resistência política
por Stephanie Ribeiro • em 13 jan, 2014 • 11
Nunca imaginei que um dia a ida ao shopping seria visto como um ato de resistência política. Os chamados “rolêzinhos;” noticiados pelos meios de comunicação desde Dezembro de 2013, consistem em uma simples ida de jovens, em grupos, aos shopping centers. Algo comum, já que o grande contingente de frequentadores destes espaços são jovens. Porém, o que despertou a revolta de algumas pessoas em relação a estes “rolêzinhos” foi o tipo de jovem que o está realizando: pobres e, em sua maioria, negros.
O ápice da revolta, gerou atitudes de repressão contra a circulação de jovens, uma liminar para impedir o “Rolezaum no Shoppim”, evento marcado por meio do facebook, para o ultimo sábado, 11 de janeiro, no Shopping JK Iguatemi, um símbolo do luxo e da ostentação da elite paulistana; evento que por sinal, foi criando como forma de protesto e gerou portas blindadas por policiais e presença de um oficial de justiça na frente do local. E a agressividade no outro extremo da cidade, no shopping Metrô Itaquera onde houve bombas de lacrimogêneo, balas de borracha e detidos pela Polícia Militar.
São consequências do incômodo que os pobres e negros, até então “escondidos ”podem causar, quando resolvem retomar seu direito a Cidade . Está que é instrumento de opressão desde a pólis grega, não esconde sua configuração segregadora que se divide em Casa Grande, atualmente os bairros centrais e senzala, que é representada pela periferia distante, já é uma regra para a sociedade brasileira, não uma exceção varrer o que não agrada para debaixo do tapete.
domingo, 12 de janeiro de 2014
A LIBERTAÇAO DO COMANDANTE JULIÁN CONRADO - VITÓRIA DAS FARC E DA SOLIDARIEDADE INTERNACIONALIST
Quase três anos permaneceu o comandante Julian Conrado – Guilhermo Enrique Torres antes da sua adesão às FARC- num carcere venezuelano.
Fora preso no Estado de Barinas, a pedido do governo da Colômbia, que exigiu depois a sua extradição com acusações falsas. O pedido não foi então atendido.
Saiu esta semana em liberdade por decisão do Supremo Tribunal da Venezuela. Terá sido a intervenção do presidente Nicolas Maduro junto a José Manuel Santos que levou o Poder Judicial colombiano a retirar o pedido de extradição. Mas é sobretudo à solidariedade internacionalista que se deve a libertação de Conrado.
O comandante guerrilheiro, artista revolucionário, autor da famosa canción guerrillera fariana , adquiriu na prisão o perfil de um herói mítico.
Inicialmente admitiu-se que fora morto durante o bombardeamento pirata das Forças Armadas Colombianas em 2008 ao acampamento de Sucumbios, instalado em território equatoriano pelo comandante Raul Reyes, massacre realizado com a colaboração da CIA, da Mossad israelense e do Pentágono. Era, porém, falsa a notícia então difundida pelo governo colombiano; Julián Conrado continuava vivo, no combate revolucionário. Daí a surpresa quando foi detido em 2011 na Venezuela. No cárcere a sua voz não se calou. Deu entrevistas, escreveu poemas, compôs canções. De dezenas de países choveram em Caracas apelos para a sua libertação.
O secretariado do Estado Maior Central das Forcas Armadas da Colômbia- Exército do Povo, congratulando- se com a decisão do Supremo Tribunal da Venezuela, decidiu chamá-lo agora a Havana para participar na Mesa dos Diálogos de Paz que prosseguem na capital cubana e serão reiniciados nos próximos dias.
Julián Conrado, nas suas primeiras declarações, agradeceu a torrencial solidariedade internacionalista e informou que, como membro da delegação das FARC, prosseguirá a sua luta por uma paz que abra as portas a uma Colômbia livre, independente, democrática e progressista.Com esse objetivo continuará simultaneamente a fazer da canção um instrumento revolucionário a serviço do seu povo.
Vila Nova de Gaia, 10 de Janeiro de 2014A E-mail Imprimir PDF
10 JANEIRO 2014
CLASSIFICADO EM AMÉRICA LATINA - COLÔMBIA
Miguel Urbano Rodrigues
Quase três anos permaneceu o comandante Julian Conrado – Guilhermo Enrique Torres antes da sua adesão às FARC- num carcere venezuelano.
Fora preso no Estado de Barinas, a pedido do governo da Colômbia, que exigiu depois a sua extradição com acusações falsas. O pedido não foi então atendido.
Saiu esta semana em liberdade por decisão do Supremo Tribunal da Venezuela. Terá sido a intervenção do presidente Nicolas Maduro junto a José Manuel Santos que levou o Poder Judicial colombiano a retirar o pedido de extradição. Mas é sobretudo à solidariedade internacionalista que se deve a libertação de Conrado.
O comandante guerrilheiro, artista revolucionário, autor da famosa canción guerrillera fariana , adquiriu na prisão o perfil de um herói mítico.
Inicialmente admitiu-se que fora morto durante o bombardeamento pirata das Forças Armadas Colombianas em 2008 ao acampamento de Sucumbios, instalado em território equatoriano pelo comandante Raul Reyes, massacre realizado com a colaboração da CIA, da Mossad israelense e do Pentágono. Era, porém, falsa a notícia então difundida pelo governo colombiano; Julián Conrado continuava vivo, no combate revolucionário. Daí a surpresa quando foi detido em 2011 na Venezuela. No cárcere a sua voz não se calou. Deu entrevistas, escreveu poemas, compôs canções. De dezenas de países choveram em Caracas apelos para a sua libertação.
O secretariado do Estado Maior Central das Forcas Armadas da Colômbia- Exército do Povo, congratulando- se com a decisão do Supremo Tribunal da Venezuela, decidiu chamá-lo agora a Havana para participar na Mesa dos Diálogos de Paz que prosseguem na capital cubana e serão reiniciados nos próximos dias.
Julián Conrado, nas suas primeiras declarações, agradeceu a torrencial solidariedade internacionalista e informou que, como membro da delegação das FARC, prosseguirá a sua luta por uma paz que abra as portas a uma Colômbia livre, independente, democrática e progressista.Com esse objetivo continuará simultaneamente a fazer da canção um instrumento revolucionário a serviço do seu povo.
10 JANEIRO 2014
Vila Nova de Gaia, 10 de Janeiro de 2014
Miguel Urbano Rodrigues
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