Radio Poder Popular

segunda-feira, 26 de março de 2012

Uma reflexão sobre os 90 anos do PCB


Achille Lollo

Os 90 anos do PCB, além das celebrações pelo extenso caminho marcado ao longo dos anos, me obrigam a pensar e realizar uma longa reflexão política sobre a manutenção da original proposta de querer construir a revolução socialista no Brasil e no mundo. Palavras que tem uma profunda visão estratégica e uma lógica ideológica em um momento em que os fatores objetivos que compõem a atual conjuntura política empurram os partidos do dito centro esquerda e também da esquerda para um “combate” dentro dos limites fixados pelo próprio liberalismo. Isto é, para certa esquerda se deve lutar, apenas para tornar o capital mais eficiente, mais moderno, mais produtivo. Enfim alguém inventou a mentira de quer um “capitalismo democratizado!!!”

A verdade é que a luta de classe, a luta contra a exploração capitalista e, sobretudo a luta contra a perversão da financerização que hoje está destruindo, inclusive, sociedades de capitalismo avançado como a Itália, Espanha, desapareceram do glossário político dos novos partidos “democráticos” que, hoje, são o verdadeiro trunfo do capitalismo, uma vez que eles que gerenciam o controle social garantindo, assim, ao capital uma tranqüila reprodução apesar da mesma ter conseqüências cada vez mais críticas e problemáticas.

Por isso saudar os 90 anos do PCB significa saudar a resistência política e ideológica às tendências destruidoras dos Freires da vida que, na passada década de noventa, tentaram seqüestrar a trajetória política do partido e do movimento popular para serem os modernos “técnicos em paz social” e assim negociar com os estrategistas do capital sua entrada nas salas do poder, seja ele municipal, estadual ou até federal. Uma experiência nociva para os lutadores sociais, porém altamente referenciada para a manutenção de aparelhos partidários que, nos últimos dez nos, fez reverenciar o PCdoB diante de multinacionais e empreiteiras tornando-se o “menino simpático na Avenida Paulista”.

De fato, ser “simpático” à Coca Cola, à FIAT ou a Eike Batista, não é um produto original brasileiro, mas é sim um subproduto dos centros de inteligência estadunidenses e europeus que criaram uma nova concepção ideológica, fácil a ser introduzida lá onde multinacionais e conglomerados financeiros sofrem com o avanço da luta de classe e com a formação de um movimento popular organizado e, sobretudo, anticapitalista e antiimperialista.

Na Itália, por exemplo, os últimos teóricos do “compromisso histórico”, hoje sentam, quietos e servis, nos bancos do governo Monti ao lado dos homens do PDL de Berlusconi e da UCD de Casini. De fato, depois de 35 anos de longas atividades para desmantelar a esquerda, desqualificar no movimento sindical todas as componentes da luta de classe e isolar os intelectuais orgânicos, eles, finalmente são “simpáticos” ao poder. E para demonstrar isso, os teóricos do PD (Partido Democrático) não pensaram duas vezes em declarar publicamente que seus dirigentes não estariam na manifestação contra o governo Monti, organizada pela Federação dos Metalúrgicos (FIOM) em Roma no dia 09 de Março.

O Partido Comunista Brasileiro deve orgulhar-se por ter sabido enfrentar e combater as diferentes tendências que queriam romper com a lógica e a práxis revolucionária do marxismo e do leninismo. Porém deve, também, orgulhar-se por ter sabido adaptar esse combate histórico à lógica da luta dos nossos dias contra o ditame do liberalismo e as práticas de seus serventes social-neoliberais.

Para os lutadores sociais e sobretudo para os comunistas, esta é uma década de resistência no momento em que o processo de desagregação do capitalismo está triplicando seus efeitos, definindo os parâmetros de um processo de lenta autodestruição que, sobretudo na velha Europa, mobiliza as gerações de jovens que estão adquirindo uma nova consciência política, do momento que o sistema já não identifica mais os jovens como exército de reserva do mercado de trabalho porque já não há mais trabalho e o dito mercado está completamente saturado. É portanto neste contexto de crise sócio-econômica que ressurge e se desenvolve a lógica revolucionária dos comunistas.

Parabéns ao PCB pelo seus 90 anos de luta. Parabéns pela firme consolidação dos ideais de luta pelo socialismo. Parabéns por ter mantido vivo e organizado um partido comunista que é comunista em todos os sentidos.

Achille Lollo é correspondente de Brasil de Fato em Roma e editor TV do programa Quadrante Informativo.

domingo, 11 de março de 2012

Irã classifica ataques israelenses a Gaza de 'crimes de guerra'

Irã classifica ataques israelenses a Gaza de 'crimes de guerra'





Médicos de um hospital em Beit Lahia examinam criança palestina ferida em ataque aéreo israelense. Foto: AFP

Médicos de um hospital em Beit Lahia examinam criança palestina ferida em ataque aéreo israelense
Foto: AFP

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O Irã classificou neste domingo os ataques aéreos israelenses à Faixa de Gaza de "crimes de guerra" contra "a população palestina indefesa", pedindo uma condenação internacional. "O Irã condena firmemente os crimes selvagens do regime sionista contra o povo palestino inocente e indefeso de Gaza", indicou o Ministério iraniano das Relações Exteriores em um comunicado divulgado pela agência oficial Irna.

"As recentes agressões (...) são crimes de guerra", insistiu o ministério, considerando que as organizações internacionais e as organizações de defesa dos direitos humanos deveriam denunciar "essas violações repugnantes dos direitos humanos".

Israel efetuou desde sexta-feira 26 ataques aéreos em Gaza, segundo o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak. Segundo fontes médicas palestinas, pelo menos 18 palestinos, incluindo uma criança, foram mortos.

Enquanto isso, grupos armados palestinos dispararam 124 foguetes em direção a Israel, segundo Barak. Este novo ciclo de violência foi desencadeado pela morte de Zuheir al-Qaissi, chefe dos Comitês de Resistência Popular (CRP), morto na sexta-feira em um ataque israelense.

O ministério iraniano acusou Israel de ter recorrido ao "terrorismo de Estado" para eliminar Qaissi. O Estado hebreu intensificou nas últimas semanas as ameaças de uma intervenção militar destinada a impedir que Teerã produza uma arma atômica.

Espanhóis vão às ruas contra reforma trabalhista conservadora

MADRI, 11 Mar 2012 (AFP) -Os espanhóis saíram às ruas neste domingo em diversas cidades para protestar contra a reforma trabalhista do governo conservador, como um último teste antes da greve geral convocada para o dia 29 de março.

Em Madri, milhares de pessoas (500 mil, segundo os sindicatos) protestaram pelo centro da capital espanhola convocadas pelas duas centrais sindicais majoritárias, UGT e CC.OO, contra a reforma trabalhista e as medidas de austeridade aprovadas pelo executivo de Mariano Rajoy.

Outras 17 mil pessoas, segundo a polícia, e 450 mil, de acordo com os organizadores, protestaram em Barcelona, enquanto milhares saíam às ruas em capitais como Málaga, Logroño ou Santander, como parte da estratégia de mobilização crescente dos sindicatos, que começaram com as grandes concentrações do dia 19 de fevereiro.

"Com estes cortes, o consumo cai e o desemprego sobe" ou "Não ao retrocesso trabalhista e social", estava escrito em alguns dos cartazes exibidos em Madri pelos manifestantes, que também carregavam bandeiras vermelhas com as siglas dos dois sindicatos.

Os manifestantes de todas as idades exibiam à frente da marcha um cartaz com o lema "Não à reforma trabalhista. Injusta. Inútil. Ineficaz", enquanto eram ouvidos gritos como "não, não, não, não aceitamos pagar sua dívida com saúde e educação!".

"Estou aqui porque estou convencido de que o neoliberalismo nos leva ao desastre", disse à AFP Antonio Martínez, um professor aposentado de 64 anos que levava consigo um cartaz com o lema "Para que nossos netos não sejam escravos".

"A reforma serve apenas para baratear as demissões e dar todo o poder aos empresários. Não vai ajudar a criar empregos", insistiu, por sua vez, Iker Rodríguez, um funcionário de 35 anos.

Ao término da manifestação de Madri, onde foram lembradas as vítimas dos atentados islamitas de 11 de março de 2004 (191 mortos e mais de 1.900 feridos) com um minuto de silêncio, os sindicatos convocaram a participação na greve geral marcada para o dia 29 de março e lançaram uma advertência ao executivo do Partido Popular (PP).

"Se o Governo não retificar, haverá conflito e não terminará no dia 29", afirmou o secretário-geral do CC.OO, Ignacio Fernández Toxo, ao término da mobilização em Madri.

"Estamos aqui em um ato que é mais um em direção à greve geral de 29 de março se Rajoy não a remediar", acrescentou o secretário-geral da UGT, Cándido Méndez, pedindo ao governo que se sente para negociar uma modificação da reforma trabalhista.

O governo conservador de Mariano Rajoy aprovou no dia 11 de fevereiro uma nova reforma para flexibilizar o mercado de trabalho, incluindo a redução de indenizações por demissão e medidas para estimular o emprego dos jovens.

O objetivo é relançar a criação de emprego, em um país com uma taxa de desemprego recorde de 22,85%, que castiga especialmente os jovens de menos de 25 anos (48,6%).

Os sindicatos, que convocaram uma greve geral no dia 29 de março, acreditam que as medidas vão facilitar, sobretudo, as demissões.

Além desta reforma, denunciam também a política de austeridade colocada em prática pelo governo para reduzir o déficit público espanhol de 8,51% do PIB no fim de 2011 para 5,8% no fim de 2012.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Nota de Repúdio - Instituto Vladimir Herzog




07 Março 2012


INSTITUTO VLADIMIR HERZOG

O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, em entrevista a Miriam Leitão, das Organizações Globo, disse (1/3/2012) que a Comissão da Verdade, prevista em lei sancionada pela Presidência da República em Novembro de 2010, é “maniqueísta” e parcial porque seu objetivo é “promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres”. Acha ele que, para assegurar a imparcialidade da comissão, ela também deveria investigar atos de violência cometidos por aqueles que combatiam a ditadura.

Depois de sugerir que os desaparecimentos do deputado Rubens Paiva e de Stuart Angel só sensibilizam até hoje a opinião pública porque eles pertenciam às “classes favorecidas”, o general Rocha Paiva mostra duvidar de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada na época da ditadura. E, quando Miriam Leitão lembrou que “Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu”, Rocha Paiva questiona: “E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.”

Como se alguém que se apresentara para depor não estivesse sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes. Como se assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente, qualquer depoente, não fosse obrigação oficial fundamental do Estado e de seus agentes, a quem ele se apresentara. Como se a Justiça do Brasil já não houvesse reconhecido oficialmente, há 33 anos, em decorrência de processo movido pela viúva Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado.

Além de tudo isso, posteriormente, em julgamento proferido no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei nº 9.140/96, o próprio Estado brasileiro ratificou o reconhecimento dessa prisão ilegal, tortura e morte.

Ao indagar, mais adiante, “Quando é que não houve tortura no Brasil?”, o general tenta justificar em sua entrevista os martírios que foram perpetrados pela ditadura deixando entender que torturar é uma atividade legitimada e consagrada pelos usos e costumes nacionais.

General: tortura nunca foi usos e costumes, nem no Brasil nem em lugar algum. Sempre foi e é a violação do império da lei, que condena quem tortura. Tanto que a nossa Constituição Federal é taxativa ao determinar que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante” (art.5º, inciso III). E impor o respeito à lei – não violá-la – é o dever precípuo mais básico dos agentes do Estado. Esses agentes estão cobertos pelo manto institucional, portanto exercem um poder infinitamente maior que qualquer outro cidadão.

É por isso, por ser um crime cometido pelo Estado – não por cidadãos comuns, julgados pela Justiça comum – que as torturas e mortes perpetradas por agentes do Estado e sob sua bandeira são o que precisa ser investigado e exposto pela Comissão da Verdade. Não acobertado pelo Estado ou por qualquer de suas instituições.

E a imparcialidade da Comissão estará em agir à luz da Justiça e da lei ao investigar e expor os crimes cometidos pelo Estado e seus agentes – não ao talante de quem detém o poder.

Tudo isso torna claro que a manifestação do general Luiz Eduardo Rocha Paiva atenta contra o Estado Democrático de Direito, também preconizado na Constituição Federal do Brasil, que tem entre seus fundamentos “a dignidade da pessoa humana”, além da República Federativa do Brasil reger-se nas suas relações internacionais pelos princípios, entre outros, da “prevalência dos direitos humanos” (Constituição Federal, arts. 1º, III, e 4º, II).

INSTITUTO VLADIMIR HERZOG

http://vladoherzog.blogspot.com/2012/03/nota-de-repudio-instituto-vladimir.html

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A RÚSSIA SE ARMA PARA FAZER FRENTE AOS AMERICANOS

Putin promete rearmamento da Rússia 'sem precedentes'


Vladimir Putin prometeu nesta segunda-feira um rearmamento "sem precedentes" da Rússia diante dos Estados Unidos e um avanço do complexo militar-industrial. As declarações constam em um texto publicado nesta segunda-feira, no âmbito da eleição presidencial. Assim como na extinta União Soviética, Putin pretende colocar o complexo militar-industrial no centro do desenvolvimento do país.

O atual primeiro-ministro Vladimir Putin, que foi chefe de Estado de 2000 a 2008 e é candidato à presidência, põe como prioridade a necessidade de responder à implantação de um escudo antimísseis na Europa pelos Estados Unidos e Otan mediante o "reforço do sistema de defesa aérea e espacial do país".

"Na próxima década serão destinados 23 bilhões de rublos (590 bilhões de euros, ou US$ 773 bilhões) a estes objetivos (de rearmamento)", informa este longo texto publicado pelo jornal oficial Rosiskaya Gazeta, consagrado totalmente à questão militar.

"Temos que construir um novo exército. Moderno, capaz de ser mobilizado a qualquer momento", escreveu, considerando que o exército russo foi deixado de lado nos anos 1990 "no momento em que outros países aumentavam constantemente suas capacidades militares".

"Temos que superar completamente este atraso. Retomar um status de líder em todas as tecnologias militares", destacou Putin, citando o terreno espacial, a guerra no "ciberespaço", assim como as armas do futuro com efeito "geofísico, por raios, ondas, genes, psicofísico".

"A renovação do complexo militar industrial se converterá em uma locomotiva para o desenvolvimento dos mais diversos setores", disse Putin, quase certo de voltar no dia 4 de março ao Kremlim, que precisou deixar em 2008 ao estar impossibilitado pela Constituição de conquistar um terceiro mandato. "Pretende-se que o renascimento do complexo militar-industrial seja um jugo para a economia, um peso insuperável que em seu tempo teria arruinado a URSS", comentou.

"Estou convencido de que isto é um profundo erro", escreveu o ex-agente do KGB (serviço de inteligência soviético), que, em 2005, classificou a explosão da União Soviética como a "maior catástrofe geopolítica do século XX".

"A URSS morreu por ter esmagado as tendências do mercado na economia (...). Não temos que repetir os erros do passado", destacou Putin, considerando que os novos investimentos no campo militar desta vez devem ser o "motor da modernização de toda a economia".

No entanto, esta perspectiva foi colocada em xeque pelos especialistas. Segundo Alexander Konovalov, presidente do Instituto de Análises Estratégicas de Moscou, "a ideia de que se pode realizar um salto à frente na economia graças ao complexo militar-industrial está superada desde os anos 1950".

Putin anunciou o "renascimento" da marinha russa, em particular no Extremo Oriente e no Grande Norte. Retomou também a acusação recorrente na Rússia contra os Estados Unidos sem nomeá-los, segundo a qual "ocorrem" deliberadamente conflitos ou zonas de instabilidade perto de suas fronteiras e o direito internacional nas crises mundiais é cada vez menos respeitado.

Putin também anunciou a entrega em dez anos de "400 mísseis balísticos modernos, 8 submarinos estratégicos, 20 submarinos polivalentes, mais de 50 navios de superfície, cerca de cem veículos espaciais com função militar, mais de 600 aviões modernos, mais de 1.000 helicópteros e 28 baterias antiaéreas S-400".

Os salários dos militares foram "praticamente multiplicados por três" no dia 1 de janeiro, e o exército russo - que conta com cerca de 1 milhão de homens - se tornará profissional para ter apenas 145 mil recrutas em 2020, anunciou.

Há um ano, o governo russo já havia anunciado um amplo plano de modernização do exército por cerca de 500 bilhões de euros (cerca de 661 bilhões de dólares).


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mudar o governo da Síria é um complô condenado ao fracasso



Os Estados Unidos pretende mudar o sistema político da Síria, assinalou quarta-feira o presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior da Assembleia Consultiva Islâmica do Irã, Alaedin Bruyerdi, recordando que os complôs do país americano na região têm fracassado varia vezes, e, assegurou que, as tentativas contra a Síria terão o mesmo destino.

“O esforço de certos países da região, como Arábia Saudita e Catar, para derrotar o governo de Bashar Al Assad se realiza sobre a pressão dos EUA”, sustentou o parlamentar iraniano, informar IRNA.

Desde meado de março, a Síria é cenário de diversos distúrbios e também sido testemunha de numerosas manifestações tanto pro como contra do governo do presidente Bashar Al Assad.

Em 27 de novembro passado, a Liga Árabe aprovou sanções econômicas sem precedentes contra Damasco, entre elas a proibição de voos para o país árabe, o congelamento das transações comerciais e o bloqueio das contas bancarias do governo sírio nos países árabes.

Bruyerdi, além disso, qualificou de “símbolos do terrorismo governamental” o regime de Israel e EUA, fundamentando-se nos crimes e nas ajudas aos grupos terroristas na região pelas mãos de Tel Aviv e Washington.

Fazendo referencia ao tema do programa nuclear de Teerã, o funcionário iraniano concluiu sua intervenção considerando “muito provável” a reabertura dos diálogos entre Irã e o Grupo 5+1, tendo em conta a proposta da Alta Representação para a Política Exterior e a Segurança da União Europeia (UE), Catherine Ashton, a respeito.

O último informe do diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, divulgado em 8 de novembro passado, acusou ao Irã de desenvolver um programa nuclear com fins bélicos. Certos países como os EUA e seus aliados impuseram embargos à República Islâmica, baseando-se no manipulado informe.

Teerã sempre tem reiterado que o objetivo de seu programa nuclear é cobrir a demanda elétrica interna e realizar investigações cientificas e sanitárias.

Uma delegação de funcionais da AIEA, dirigida pelo diretor geral adjunto dessa entidade internacional, Herman Nackaerts, viajou domingo passado para o Irã, com o objetivo de debater com as autoridades iranianas as inquietudes existentes acerca o programa nuclear iraniano.

Fonte: http://www.hispantv.ir/detail.aspx?id=173444

>“VAZOU! A AGENDA DA LIGA ÁRABE PARA A SÍRIA”

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Eis aqui, em ritmo de curso intensivo, uma síntese das maquinações “democráticas” da Liga Árabe – de fato, Liga do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), porque quem realmente manda nessa organização pan-árabe são duas das seis monarquias do Golfo Persa que integram o CCG, também conhecido como Clube Contrarrevolucionário do Golfo, a saber: o Qatar e a Casa de Saud.

O CCG criou um grupo na Liga Árabe para monitorar o que se passa na Síria. O Conselho Nacional Sírio – baseado na opinião de Turquia e França, países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – apoiou com entusiasmo a iniciativa. Não por acaso e muito significativamente, o Líbano, vizinho da Turquia, não aprovou a constituição do tal grupo de ‘monitores’.

Quando os mais de 160 monitores, depois de um mês de investigações, publicaram seu relatório... Surpresa! O relatório não repetia a versão do CCG – segundo a qual o governo de Bashar al-Assad-do-Mal estaria unilateralmente e indiscriminadamente, matando o próprio povo, o que tornaria absolutamente necessária e urgente uma “mudança de regime”.

O Comitê Ministerial da Liga Árabe já aprovara o relatório, por quatro votos a favor (Argélia, Egito, Sudão e Omã, membro do CCG) é só um voto contrário (adivinhem: claro, o Qatar – atualmente na presidência da Liga Árabe, porque o emirado comprou da Autoridade Palestina o turno, na presidência rotativa da instituição).

Então aconteceu que o relatório foi ou completamente ignorado (pela mídia-empresa ocidental) ou detonado sem piedade (pela mídia árabe que, praticamente toda ela, é financiada ou pela Casa de Saud ou pelo Qatar). O relatório não foi sequer discutido – porque o Conselho de Cooperação do Golfo impediu que, traduzido do árabe ao inglês, fosse publicado no website da Liga Árabe.

Até que, afinal, o relatório vazou. Pode ser lido em inglês, na íntegra em: “Report of Arab League Observer Mission”.

O documento é absolutamente claro e assertivo: não há nenhum tipo de repressão letal organizada pelo governo sírio contra manifestantes pacíficos. Em vez disso, o relatório denuncia as muitas gangues armadas como responsáveis pela morte de centenas de civis e de mais de mil soldados do exército sírio, em atentados organizados e letais (explosões de ônibus de transporte de civis, ataques a bomba contra trens carregados de óleo diesel, ataques a bomba contra ônibus de transporte de policiais e ataques a bomba contra pontes e oleodutos).

O relatório não confirma a versão oficial distribuída pelo CCGOTAN para o caso sírio, de levante popular esmagado por tanques e balas. Na mesma direção do relatório, também Rússia e China, do grupo BRICS, e muitos países do mundo em desenvolvimento vêem o governo sírio em luta de resistência contra grupos de mercenários estrangeiros pesadamente armados. O relatório caminha na direção de confirmar essas suspeitas.

O Conselho Nacional Sírio é constituído de “irmãos” da Fraternidade Muçulmana aliados à Casa de Saud e ao Qatar – que recebem também o discreto e incômodo apoio de Israel, nos bastidores. Legitimidade não é o forte do CNS. Quanto ao Exército Sírio Livre (ESL), há desertores e há quem se oponha ao regime de Assad, mas, sobretudo, o ESL está infestado de mercenários estrangeiros armados pelo Conselho de Cooperação do Golfo, especialmente gangues salafistas.

Seja como for, o CCGOTAN, impedido de aplicar na Síria o modelão padrão de implantar “democracia” à custa de bombardear até destruir o país sendo isso necessário para livrar-se do ditador-do-mal proverbial, não se deixará paralisar. A Casa de Saud e o Qatar, líderes do CCG, já desmentiram e desqualificaram o próprio relatório dos próprios monitores, e já partiram, desembestados, para decidir, de vez, a questão: trabalham hoje para impor mudança de regime na Síria, como interessa ao CCGOTAN, usando o Conselho de Segurança da ONU como seu instrumento.

Assim se vê claramente que o atual movimento “liderado pelos árabes para assegurar solução pacífica a dez meses de conflitos” na Síria, através da ONU, nada é além de evidente tentativa de derrubar o governo sírio, o que se chama hoje ‘mudança de regime’. A discussão prossegue.

Até aqui, os suspeitos de sempre – Washington, Londres e Paris – já foram obrigados a garantir à comunidade internacional que não se trata de obter autorização da ONU para que a OTAN destrua a Síria como destruiu a Líbia. A secretária de Estado Hillary Clinton defende o golpe como “uma via para transição política, que preservará a unidade e as instituições sírias”.

Mas Rússia e China, dois BRICS, estão vendo as coisas como as coisas são. Um terceiro BRICS – a Índia – além do Paquistão e da África do Sul, também já levantou sérias objeções ao projeto de resolução que o CCGOTAN tenta impor ao Conselho de Segurança da ONU.

Não haverá outra zona aérea de exclusão à moda líbia; afinal, o regime de Assad não está usando aviões Migs contra civis. Qualquer resolução para mudança de regime na Síria será vetada por Rússia e China. O próprio bloco CCGOTAN está desarranjado, porque os diferentes subgrupos – Washington, Ancara e o duo Casa de Saud/Doha – têm diferentes agendas geopolíticas de longo prazo. Isso, para nem falar de um parceiro comercial e vizinho crucialmente importante da Síria, o Iraque, que também se opõe a qualquer esquema para mudança de regime.

Tudo isso considerado... Por que a Casa de Saud e o Qatar, tão interessados em “democracia” na Síria... Por que não usam todo o seu imponente arsenal de armas norte-americanas para, na calada da noite – como fizeram no Bahrain – invadir a Síria e executar a tal “mudança de regime”, eles mesmos?

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